Por Vera Lessa Catalão
O fluxo das águas é inexorável, correr faz parte da sua natureza. Ela aceita ser tocada, mas nunca detida. Diante dos obstáculos ela os contorna e flui. « A água escapa entre nossos dedos e, como a chama, perfura de inquietante estranheza as nossas certezas estreladas » diz R. Barbier. Estabelecer barreiras para água demanda engenho e cautela, as construções das barragens precisam dar conta da sua impetuosidade que reúne toda sua energia para prosseguir seu curso. Os chineses a comparam ao tempo que passa, pois, em vão, tentamos deter a água e o tempo. Yun Dai Yun conta que Confúcio encontrando-se um dia na beira de um rio disse: «Tudo passa como esta água ; nada a detém, nem de noite, nem de dia. » Assim a água que corre e o tempo que passa tornam-se sinônimos do fluxo universal.





